Vocês Veem a Tecnologia Como Uma Ferramenta. Nós não.

Marc Prensky é um pensador, palestrante, escritor e consultor norte-americano, internacionalmente reconhecido como líder na área da educação. Ao longo de anos de trabalho, vem coletando alguns pensamentos de estudantes que ele batizou como ‘nativos digitais’ – termo hoje amplamente usado para descrever aquelas pessoas que “nasceram ou cresceram durante a era da tecnologia digital, e têm familiaridade com computadores e internet desde os primeiros anos de vida”.

Uma das frases a que ele dá destaque é justamente a que embasa o título deste artigo. Mais precisamente, disse um aluno: “Vocês veem a tecnologia como uma ferramenta. Nós a vemos como uma fundação – ela está na base de tudo o que a gente faz.”

Então, nota-se, há uma discrepância na própria definição daquilo que internet e tecnologia representam no mundo de hoje. Isso inevitavelmente cria uma lacuna na comunicação entre as gerações que atualmente vivem no nosso planeta: pais e filhos, professores e estudantes, chefes e jovens empregados.

E quando lançamo-nos o desafio de fazer uma passagem pro futuro de forma mais eficiente e proveitosa, tentando estreitar o nível de interação entre pessoas vindas de épocas diferentes, há muito mais perguntas do que respostas.

A primeira das questões a ser levada em conta, na prática, é a contextualização socioeconômica de uma determinada comunidade ou grupo de pessoas. Em outras palavras, nem todo mundo está exposto aos mesmos patamares de cultura e tecnologia, e o modo como diferentes dinâmicas sociais são tratadas deve necessariamente ser – bem, digamos – diferente.

O nativo digital norte-americano não é o mesmo daquele nascido na Índia. O do Norte do Brasil difere daquele vindo de Santa Catarina. Mesmo dentro de uma única cidade, inclusive porque a era digital é ainda tão recente, as competências tecnológicas de alguns adultos podem ser infinitamente maiores do que as de um adolescente.

Na linha do pensamento de Henry Jenkins, professor e pesquisador na área da Comunicação, “nós, como professores, devemos incluir o mundo exterior com o qual as crianças estão familiarizadas e usá-lo dentro das salas de aula”.

Troquemos as ‘salas de aula’ por ‘ambientes de trabalho’ e ‘círculos familiares’, e teremos aí um bom cenário na busca por um mundo mais integrado.

Que venham as discussões!

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flaviacataldo

Writer, blogger, translator, once a lawyer. Convinced that having a conservative liberal personality makes complete sense.

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