Internet freedom vs Internet bubble

There are two ways you can use the Internet: by freeing yourself in it or feeling the pressure from it. At least this is what Elda frequently says to her children. Now 18 and 26 years old, both Raphael and Luccio understand very clearly what their mum means by that.

They are themselves the exact image of these two variables. Raphael is a light soul. He travels, explores waterfalls all over his country, sits with friends around a fire pit for some guitar-singing time, studies economy at Uni and plans to set up a small organization that will help people purchasing their first home.

The Internet has an immense importance in his life. Through websites and social media platforms he is capable of doing all the necessary research towards his graduation, applying for financial funds for his business, contacting people with the same interests and updating his family about his whereabouts and new adventures.

Luccio on the other hand feels frightened. He somehow always ends up being contacted (cornered?) by his office mates who want to talk about tricky work stuff via inbox chats. His cousin’s boyfriend every now and again posts something on Luccio’s timeline about football and motorcycles, expecting from him some sort of feedback whenever they meet at family gatherings — Luccio isn’t even into sports and bikes. Not only, but he is always tagged in public photos from friends and made fun of for his clothes and odd smiles. It’s tough.

What options would Luccio have? He cannot think of any.. Cutting ties with workmates, family and friends does not seem like a good call. Day in, day out, he still faces the annoyance and embarrassment caused by those who surround him.

“You guys think of technology as a tool. We think of it as a foundation — it underlies everything we do”, a student said to writer and educational speaker Marc Prensky. Still, the Internet is something we make use of, and as such, it has a strong impact in the way we live, feel and interact with the world.

How is your internet going?

Eu, Flávia. A que vim?

Talvez este texto teria que ter sido o meu primeiro a ser publicado. Ouvi diversas vezes que seria bom começar a vida de escritora do começo, explicando do que se tratam o meu trabalho e as minhas pesquisas. Mas se nem Star Wars (que, aliás, nunca assisti) seguiu uma sequência correta, não serei eu a desafiar esse hábito de sucesso.

Pois bem, depois de fazer de tudo um pouco desde meados dos anos 90 – secretária, fazedora de velas artesanais, office-girl, professora de ensino fundamental, advogada, garçonete, administradora de escritório de engenharia, dog sitter de cães abandonados, administradora de coral, tradutora, tudo necessariamente nessa ordem – o que tenho feito nessa nova fase da vida é.. escrever. Falar também, tenho inclusive me arriscado em uns vídeos muito mal editados no YouTube. Mas a prioridade é escrever, sempre esperando que o que eu tenho a dizer seja interessante para alguém.

Os temas que me movem ressoam na minha infância. Depois de me dar conta de que eu e meus contemporâneos somos as ultimíssimas pessoas a ter crescido sem internet (mas agora já totalmente submersos na vida com ela), comecei a focar na importância de fazermos uma ponte entre os nascidos por volta de 1980 e as gerações que vieram depois. Mas vou enfatizar logo: eu não acho que a minha geração seja melhor do que as seguintes. Cansei dos textos e artigos que enquadram as pessoas nas gerações x, y e z. Perdi a paciência com a quantidade de matérias repetidas na minha timeline. Faço questão de não ser uma saudosista chata; sou uma saudosista legal.

Assim, eu que havia começado as minhas pesquisas na área de filosofia do direito, acabei integrando ao meu cotidiano também os assuntos relacionados a tecnologia, cultura moderna, educação e sociedade em geral.

A minha intenção é bem especifica. Quero dar a estes temas uma linguagem fácil, mastigada mesmo. Quando sociólogos falam pra estudantes de sociologia, ou quando escritores falam para as cabeças universitárias e/ou pensantes de uma comunidade, acaba-se criando um círculo que gira unicamente em torno de si mesmo.

Pessoalmente, penso que o que falta é levar o material produzido por sociólogos, filósofos, professores, jornalistas e profissionais literários não só para as pessoas que se identificam com esses assuntos mas também para aqueles que nunca tiveram a oportunidade ou interesse de se aprofundar neles.

Eu quero que sejamos ligados a nós mesmos e não escravos dos demais. Quero que o sistema sob o qual vivemos não nos faça murchar. Que a nossa vida dinâmica e moderna comporte também momentos de calma, silêncio e paz. Pra isso, a ferramenta da informação e a habilidade de pensar e desenvolver juízo crítico têm que chegar a todos.

Não estamos todos no mesmo barco mas estamos todos no mesmo mar. Né?

Whose Reputation?

The first question is simple: on a scale from 1 to 10, how much do you care about other people’s opinion?

The second one is a bit trickier: under what categories do you place the people who are part of your life?

Whose opinion do you care the most and the least? Between father, mother, boyfriend, friend of your girlfriend, boss, unknown followers of Instagram and the neighbour’s cute cousin, who are you always trying to please or at least not to appear foolish to?

I personally tend to care about the opinion of absolutely everyone – from those who love me to the ones who clearly don’t. I suffer and I suffer with drama.

Of course age has taught me a few things and I did improve in some aspects here and there. But on the whole I alone am capable of making a whole soap opera.

I frequently try to guess what other people think about something I’ve done, for example, and I can overthink about the same subject for LONG days.

Social reputation, this is the flavour of the month.

I know I’m not alone. Our online behaviour is the biggest proof that we are constantly seeking the approval of others, and on a large scale.

I do not want to focus here on this worn out subject of perfect shots, meticulously calculated posts and the obsession with wows & likes. We know this is how things are and how they will continue to be. What bothers me the most, in fact, is that there is no more room for us to think about ourselves. The Internet takes so much of our time that the only thing we see is other people.

We are defined by the opinion of others; we are who the web shows we are.

You are probably not immune to all of this. Don’t you spend a good portion of your day looking at photos and videos posted by someone else, reading what they wrote and – even inadvertently – forming your opinion about them? When do you actually explore your own online profile and form opinions about yourself?

Who am I, ffs?

Reputação de Quem?

A primeira pergunta é simples: em uma escala de 1 a 10, o quanto você se importa com a opinião dos outros?

A segunda é mais traiçoeira: em quais categorias dividem-se os “outros” que fazem parte da sua vida?

A opinião de quais deles conta mais, ou conta menos? Entre pai, mãe, namorado, amiga da namorada, chefe, seguidores desconhecidos do Instagram e o primo gato da vizinha, a quem você vive tentando agradar, ou pelo menos não fazer feio?

A primeira resposta pra mim é facílima e me causa muita dor de cabeça. Eu me importo com a opinião de absolutamente todo mundo – dos que me amam aos que me detestam. Eu sofro, e eu sofro com drama.

Claro que a idade vai ensinando aos poucos, eu melhoro em uns aspectos aqui, outros ali. Mas, no geral, eu sozinha sou capaz de fazer uma novela inteira. Imagino a reação das pessoas, reajo em pensamento à reação delas, fico com os olhos cheios d’água e rodeio aquele mesmo assunto na minha cabeça por LONGOS dias.

Reputação social, é essa a bola da vez.

Eu obviamente não estou sozinha. O nosso comportamento virtual é a maior prova de que estamos constantemente procurando a aprovação alheia, e em larga escala.

E não quero focar aqui nesse assunto batido de fotos perfeitas, posts milimetricamente calculados e obsessão por curtidas. A gente sabe que as coisas são assim e assim continuarão. O que me incomoda mais, na verdade, é que não há mais espaço pra pensarmos em nós mesmos. A internet toma tanto do nosso tempo que a única coisa que vemos são os outros. Estamos definidos pela opinião alheia, somos aquilo que a net mostra que somos.

Veja aí como você não está imune, se não passa uma boa porção do dia vendo as fotos e os vídeos postados, lendo o que as pessoas escrevem e – mesmo sem querer – formando a sua opinião a respeito delas. Quando é que você explora o seu próprio perfil online e forma opiniões sobre si mesmo?

Quem sou eu, plmdds??

A Reinvenção do Rádio

Do seu aparecimento, no início do século 20, até estes primeiros anos do século 21, o rádio pode ser considerado ainda jovem, mas com uma invejável experiência de vida. Décadas atrás, era a principal fonte de informação e entretenimento nas casas e ambientes de trabalho. Hoje, notavelmente, resiste e divide espaço com uma infinidade de outros meios de comunicação, tanto on quanto off-line.

Nossos avós certamente podem testemunhar sobre a fascinação de se ter a voz humana projetada em um aparelho doméstico. A relação entre o ouvinte e as rádios, a interação da fala e audição entre espaços geograficamente distantes, todas essas vertentes foram a base do que se tem hoje em termos de mídia e comunicação social. Tema para um bom bate-papo.

Carolina Braga, editora do site Culturadoria (www.culturadoria.com.br) e professora de Radiojornalismo da Uni-BH enxerga com clareza a convivência do rádio com as demais mídias. Em entrevista concedida a este blog, ela aborda a questão de forma fluida e instigante.

Pergunta – Qual o lugar do rádio hoje?

Resposta – Ainda acho que o rádio consegue ser o meio de comunicação mais veloz, capaz de associar informação e análise ainda mais rápido que o Twitter. Por isso, as emissoras informativas têm tudo para explorar essa característica. O ecossistema das mídias já mudou muito e as rádios informativas souberam tirar proveito disso. O mesmo não ocorreu com as emissoras musicais. Os lançamentos estão em outras plataformas e a audiência também.

P – Como atingir um público ouvinte que está cada vez mais plugado no próprio celular?

R – O rádio está no celular. Essa é a vantagem: as plataformas evoluíram e o tradicionalíssimo meio de comunicação foi se adaptando, entendendo que na comunicação em rede o que vale é a coexistência de várias mídias, de diversos modos de se comunicar. Estar plugado no próprio celular também pode significar acompanhar alguma emissora de rádio pelas ondas sonoras ou pelas redes sociais.

P – As emissoras de rádio têm conseguido se manter ativas e produtivas nessa era da internet?

R – Sim. O modelo de negócio dos meios de comunicação foi totalmente abalado “nessa era da internet”. Em todas as mídias. Isso significa que a manutenção está cada vez mais difícil. Mas não acho impossível, já que novos caminhos se apresentam cada vez mais desafiadores.

Big techs: mais perguntas do que respostas no cenário digital

Muito se discute atualmente sobre a posição das chamadas Big Techs, as  grandes empresas de tecnologia, em um mundo cada vez mais pautado e envolto pelas mídias digitais. Companhias como Amazon e Google cresceram a níveis tão estratosféricos que torna-se quase impossível não pensar (e repensar) sobre os conceitos de monopólio, igualdade e concorrência.

A lista de discussão é extensa. Há o problema da regulamentação das atividades dessas empresas em cada país e entre países. Há a questão da crescente utilização de expedientes automatizados e redução da força de trabalho humana. Existe ainda o compartilhamento quase que fraternal dos dados pessoais de consumidores ao redor do globo, criando-se uma mailing list invasiva e de grande valor financeiro no mundo corporativo.

A resposta a todas essas questões e o rumo que tomam têm sobre nós, cidadãos comuns e usuários dos serviços oferecidos pelas grandes techs, um impacto muito maior do que objetivamente se pensa. Não se trata apenas de leis e impostos ou de exploração e publicidade.

A atuação das grandes companhias de tecnologia ressoa no próprio desenvolvimento da sociedade. Quanto mais presentes – com suas ditas práticas arrojadas e em sintonia com um público ativo e dinâmico – mais elas exercitam a sua influência sobre o modo como conduzimos a nossa vida de um modo geral.

Nas palavras do escritor americano Nicholas Carr, a propósito do trabalho do filósofo canadense Marshall McLuhan, “no final das contas, o conteúdo trazido pelas mídias é menos importante do que a própria mídia em si, em sua influência sobre como pensamos e agimos. Como uma janela para o mundo e para nós mesmos, uma mídia popular molda o que e como enxergamos – e se a usarmos o bastante, teremos nos transformado como indivíduos e como sociedade.”

Assim, o movimento dos governos no sentido de tributar empresas e regulamentar suas atividades em determinado local tem um resultado direto na sociedade envolvida. Veja-se, por exemplo, a questão do Uber nos Estados brasileiros e o quanto ela diz a respeito de como a nossa comunidade enxerga o conceito de locomoção, o direito de trânsito no meio urbano, a existência de pessoas autorizadas a profissionalmente transportar outras de um lugar ao outro, dentre outros.

Como ainda engatinhamos na era digital, as perguntas nesse momento certamente superam as respostas que se possa ter. Mas se colocarmos estas interrogações no contexto a que de fato pertencem, os diálogos acabam por tornar-se mais produtivos e eficientes.

2000 and late

Are we being spied on? Monitored 24/7? Does it bother you?

When you read and talk about internet and surveillance, you end up making a choice between believing in a conspiracy theory or not.

Please allow yourself to change sides from time to time. I certainly do. The internet era is too young and the questions far outweigh the answers we may have.

One thing is for sure. We, you and I, spy on each other ourselves. Before any government, institution or potential employer, we are the ones creating a world where nothing can be kept in privacy. Nothing can be fully forgiven, nothing will be fully forgotten.

And if we are aware of the fact that we are being constantly watched, how much of an impact does this have on our behaviour?

Quem São os Meus Heróis?

Tina é uma menina de vinte e poucos anos, encantada com o mundo e com as pessoas, que costuma se aproximar de quem ela acha mais cool do que ela própria – gente que se veste sem muita produção, que conversa sobre cinema alternativo e é engajada em assuntos da política nacional. Há na Tina um ímpeto de observar, imitar e aprender, e talvez por isso mesmo seja tão afeita a novas amizades e conversas.

Sempre que ela volta pra casa, onde mora com os avós, mãe e três irmãos mais novos, se arremessa no sofá com um lanche rápido nas mãos e joga conversa fora com quem quer que passe pela sala. Três casos e algumas risadas depois, Tina já está pronta pra subir pro quarto e se distrair com o celular por algumas horas.

Dia desses no entanto, ao chegar no andar de cima e atirar a bolsa na cama, se deu conta de que o telefone celular havia ficado na mochila de uma amiga. Pensou em ir à casa da Andreia, claro, mas não valia a pena dirigir por 1 hora e meia àquela altura da noite, já que elas iriam se encontrar logo cedo na manhã seguinte.

Bateu nela uma sensação enorme de não saber o que fazer. O computador da casa é pra uso da família toda, privacidade praticamente nenhuma. O livro que ela vinha lendo estava no celular. As mensagens trocadas com todos os amigos, as conversas ainda pendentes, estavam no celular. Os links abertos em blogs que ela queria ler melhor mais tarde: no celular. As fotos e vídeos que ela iria editar naquela semana. Celular.

Daí Tina se lembrou de uma história que o avô contava, de como os pais dele não deixavam que ele fosse se dar com os meninos e meninas do Stanislau, o bairro ao lado. Aliás, era no Stanislau que morava a avó da Tina, e foi lá mesmo naquela área que os dois se conheceram e começaram a namorar, há mais de 4 décadas. Mas tudo aconteceu às escondidas, não havia meios de convencer os pais daquela época a deixar os filhos se misturarem com os de outras áreas ao redor.

A molecada só queria estar junto. Conversar e passar tempo juntos. Muitas vezes sem fazer nada especial, mas juntos.

E não é essa espontânea singeleza que agora a Tina considera heroica?

– – –

Na era da tecnologia, as nossas habilidades são inúmeras. Nós desenvolvemos o poder de interagir, produzir e apreender informações em alta velocidade, tudo ao mesmo tempo e agora.

Enquanto isso, no contraponto, a gente perdeu a calma do que é simples. O que é simples ficou bobo, o que é pouco complexo não é bom o suficiente.

Quais são as prioridades que nos movem, afinal de contas?

Who Are My Heroes?

Tina is a girl in her early twenties, fascinated with the world and with people, who tends to approach whoever she thinks is cooler than herself – people who dress simple, talk about alternative movies, and engage in conversations about national politics. She has this urge to observe, imitate and learn, and perhaps for this very reason she is so prone to new friendships and conversations.

Whenever she returns home, where she lives with her grandparents, mother and three younger siblings, she throws herself onto the couch with a quick snack in her hands and plays chit chatter with anyone in the house who passes by. Three stories and a few laughs later, Tina is ready to go upstairs and spend some time on her cell phone for a few hours.

One of these days, after going upstairs and throwing her bag on the bed, Tina realized that she’d left her cell phone in a friend’s backpack. She obviously thought of going to Andrea’s house to pick it up, but it was not worth it driving for an hour and a half once they would meet early in the following morning.

There was a huge sense in her of not knowing what to do. The house computer is for the use of the whole family which equals to no privacy whatsoever. The book she was reading was on her cell phone. The messages she exchanged with all her friends throughout the day, conversations still pending, were on the cell phone. The links left open on blogs she wanted to read later: on the cell phone. The photos and videos she was going to edit that week. Cell phone.

Then Tina remembered of a story her grandfather used to tell them about how his parents would not let him go hang around with the crowd at Stanislau, the district next to theirs. By the way, it was in Stanislau where Tina’s grandmother used to live, and it was in that area that the two of them met and started dating, more than 4 decades ago. But everything happened in secret; at that time there was no way to convince parents to let their children hook up with the ones from that and other surrounding areas.

Those kids just wanted to be together, to talk to each other and spend time together. Often doing nothing special, but together.

And isn’t this spontaneous simplicity that Tina now considers heroic?

– – –

In the Digital Age, our skills are uncountable. We’ve developed the ability to interact, produce and retain information at high speed, everything at the same time and right now.

On the other hand, meanwhile, we lost the calmness of what is simple. Simple things are seen as not interesting; if it’s not jaw-dropping, it’s not good enough.

What are the priorities that move us, after all?